Ano novo, novas metas, novos medos

Se você estava trancado num quarto escuro nos primeiros 30 anos da sua vida, provavelmente nunca ouviu a expressão “medo de viver”. Infelizmente a gente passa metade – ou mais tempo – da vida com medo de viver. Medo de ousar, medo de tentar, medo de se machucar. 2016 deu muito medo de tudo isso, mas também encarei um medo novo.

Durante boa parte da minha vida eu vivi com medo de viver. E hoje, aos 30, descobri o medo de morrer. Estamos num jogo de resta um, só que as peças somos nós e ninguém quer ser o resta um. “Mil cairão ao teu lado, dez mil à sua direita mas tu não serás atingido. “ Será mesmo?

Passei boa parta da vida com medo de viver e agora tudo o que enxergo é medo de morrer ou de perder as pessoas mais próximas. Meus pais e irmãos já alcançam a idade avançada e adulta. Meus amigos passaram também dos 30. Uma dor no peito hoje em dia não é só um golpe de ar errado. Uma pinta não é só uma pinta. As pessoas vão sendo dizimadas e um alarme ecoa dentro de nós. Quem será o próximo? Respira fundo e implora aos céus por mais tempo, por mais chances de fazer dar certo, de viver o que a vida está proporcionando.

No melhor momento da minha vida eu parei de ter medo de viver, passei a ter medo de não viver, ou até mesmo de não estar aqui pra ver tudo acontecer.

Aproveite a oportunidade do ano que nasce, respira fundo e tenta enxergar que a vida já é difícil demais e que se a gente não tentar viver bem e feliz o pouco que nos resta, talvez lá na frente a gente perceba que perdeu tempo, chance, oportunidade. E não há nada mais frustrante do que perder.

Ganhe.

[Luciana Meningue]

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