Agridoce – a hora em que só por amor engolimos certas coisas

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Hoje eu acordei com a boca amarga, amarga pelas palavras que eu não soube usar e amarga pela noite mal dormida que você me deu, parece que tomei um chá preto que passou do ponto, café fraco sem açúcar ou chimarrão mal feito. Mas não é só a boca que está assim, a vida, eu inteira, cada célula do meu corpo e meus ombros pesados de cansaço sentem amargura pelas tristezas com as quais você tem me presenteado.

A cabeça pesa de ideias e sentimentos, o corpo sente.

É muito fácil me deixar nervosa, mas é muito difícil me fazer triste. Para entristecer, eu preciso ser consumida aos poucos pelos maus-tratos que a vida providencia, e você, meu amigo, foi responsável por muitos deles.

Não vejo motivo para te responsabilizar cara a cara, afinal, às vezes parece que você não sabe o que faz, principalmente quando brigamos assim. Você não sabe como nosso relacionamento me corrói ao mesmo tempo em que me alimenta. Sabe por que é assim? Por que há medo, medo de ambas as partes.

Afinal, quem nunca teve receio de terminar um namoro ou um casamento e sentir-se só. Eu tenho e você também, somos dois acomodados. Mas isso é natural, afinal, somos sozinhos no mundo, nós e nossos bichinhos de estimação e plantas. Queremos tentar viver em conjunto. Corpo pede corpo, alma pede alma.

Sabe aquela expressão do inglês “bittersweet”? não?  para você, meu amigo, que não sabe, ela tanto pode significar “agridoce”, como também uma mistura de alegria e tristeza. Você se encaixa em ambos! A minha boca na sua agora é amarga ao mesmo tempo em que é doce. E estar com você é feliz por uns momentos, mas angustiante logo em seguida, pois não sabemos quanto tempo resta. Não podemos nem fazer planos, porque o que faz de você meu amor e não meu ex-amor é apenas esse leve gostinho doce no fundo da boca que ainda resta depois que eu engulo estas palavras.


 

[N.D.]

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