A noite em que a solidão gargalhou na minha cara

Eu te assustei. Te espantei com meu jeito – sempre ele – de tentar ser mais do que apenas uma pessoa comum. E agora, em uma sexta-feira que a gente podia estar abraçado, você vai trabalhar até tarde, se enfiar em relatórios e planilhas, pra ver se não pensa em nós. E eu? Tentando evitar o álcool, mas não conseguindo desviar da bad, bebo um café ao som da playlist mais triste intitulada “descobertas da semana”. Eu queria saber como o aplicativo descobriu que a semana terminaria assim. Fria, cinza. Sem mais adjetivos.

A novela não teve graça sem você pra comentar, mesmo eu sabendo que você detesta novela. O dia foi interminável e frio, do tipo que congela de dentro pra fora, porque eu senti que você se manteve distante e gelado.

Eu não fumo, parei já faz um bom tempo. Mas essa noite eu queria um maço de cigarros, luz apagada e a culpa sentada ao meu lado. Culpa de saber que não fiz meu melhor, de perceber que eu te machuquei logo de cara. Que eu fiz o que prometi que não faria.

Qual o nome dessa música tocando agora? Outro gole de café. As palavras fogem pra longe, o vento entra pelas frestas do meu peito. A saudade de você parece ter se agarrado a mim. E como eu faço pra reverter isso?

Em pouco tempo você me ensinou tanto, e eu tava disposto a melhorar sabe? Mas agora, diante do seu justificável medo, eu não sei nem mais como explicar que aquilo não foi nada. Que foi um vacilo bobo.  Que eu me acostumei a empurrar qualquer pessoa que tenta entrar na minha vida. Que eu faço tudo errado quando menos preciso. Não sei como te trazer de volta pra mim e pra falar a verdade eu acho que nem dá mais.

Sempre fui da geração ‘quebrou joga fora’. Mas com você eu queria mesmo consertar. Porque você é a garota certa. Porque você me faz ter vontade de ser alguém melhor. E por você eu tentaria até o fim. Mas tentar sozinho?

Eu escrevi esse texto como um desabafo, mas acho que parte de mim espera com ansiedade que essas palavras cheguem onde eu te feri, e que encontrem você como eu não consegui. E que te traga pra perto de mim, pra dentro de nós novamente.

yours,

[J.S.]

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