A hora certa que você tanto aguarda nunca vai chegar

Não esperar por hora nenhuma é a hora certa.

Nós, seres humanos apreensivos por felicidade, maníacos de brincar de adivinhação com o destino, sempre se interrogando:

O que querem dizer os caminhos colocados a nosso dispor? A qual cargo na sua vida as pessoas que você conhece serão designadas?

Tentar desvendá-lo numa investida, nem sempre bem sucedida, de inconscientemente, manipulá-lo. Oras, sabendo qual papel ele ou ela vai representar na sua vida, você planeja como agir para que eles nunca mais deixem o seu convívio, ou, para pular fora, afinal, o acaso te mandou um sinal e você interpretou que aquele lance disfarçado de maravilhoso é a maior emboscada.

Alguns preferem nomear suas expectativas como ato preventivo. “Não vou me envolver para não sofrer”, “Não vou dar uma chance porque já sei como vai terminar”, “É melhor deixar prá lá, não daria certo mesmo”. Com essa contenção toda você não estaria se auto-boicotando? É isso mesmo. Esses empecilhos imaginários que nós teimamos em colocar sobre circunstancias que não nos são estranhas, mas teimamos em associar que são as mesmas. Nem todos são iguais, nem todo conto se reproduzirá. Assim como, nem toda tentativa é acerto, nem todo acerto será eterno o quanto você quiser. Se entendêssemos que cada um compõe o momento tempo suficiente para cumprir o seu papel na história superaríamos melhor aquele tombo na ladeira, aproveitaríamos melhor a retomada depois da queda.

Contudo, estamos lá, especulando os porquês das tristezas, estimando quanto tempo durará nossas alegrias. Paralisados na intenção de reverter ou prolongar um acontecimento que ainda não se deu, ludibriando o que talvez nem venha a ser.

Esse vício abstrato de arquitetar situações, fantasiar os propósitos da quiromancia do cotidiano. É sortear no tarô o imperador e devanear que o seu príncipe encantando está para chegar, forte e poderoso, ignorando que a carta carrega uma alta carga autoritária, egoísta, e talvez esse Lord montado num cavalo branco que você idealizou não venha te convidar para jantar, mas sim te faça de jantar.

Entende? É subverter o real sentido do instante para adequá-lo ao que você queria que ele realmente fosse.

Libertam-se os que desapegam dessa fixação dominadora de toda hora fazer acontecer. Presos na neura de tomarem as rédeas da situação para não desviar o rumo, afastam-se de uma jornada mais leve a lá Zeca Pagodinho, deixa a vida me levar, vida leva eu. Perdem lugares interessantes, companhias diferentes, fecham-se os olhos para descobrir outros mundos, não renovam as próprias perspectivas, esquecem de apenas viver!

Gastar mais tempo com o que realmente toca a sua alma de alegria e travar o disparo de apostas desesperadas sobre o futuro.

Sem manipulações, sem amarras.

Deixar esse hiato ecoar desimpedido dentre os seus dias e transformar-se, sublimemente, na hora certa.


 

[T.M.]

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