A garota do creme de mandioquinha

Uma vez conheci uma garota que adorava caldo/creme de mandioquinha. Confia em mim essa história fará sentido. Eu vou chamar essa garota de Estrela. E essa garota não é a minha atual namorada com quem eu moro e divido uma vida, então a atual chamará Sol. Anota pra não perder.

Bem, o fato é que naquela noite em que conheci Estrela nada fazia sentido e o fato dela gostar de creme de mandioquinha foi o motivo final, acredite, de eu ter ido embora mais cedo.

Vamos ao início da noite…

Logo que ela chegou eu já havia tomado um jack daniels cowboy, dado a temperatura que fazia quase abaixo de zero na rua. (São Paulo dá dessas de vez em quando). Um primeiro encontro abaixo de zero. E quando ela chegou nada ali aqueceu, nem o assunto, nem os hormônios, nada. Como todos os meus primeiros encontros, criei mais expectativa do que consistência. E que me perdoem os “cagadores” de regras, eu ainda precisava aprender essa!

Estrela não tinha nada de errado, exceto o fato de que éramos COMPLETAMENTE opostos. Eu de esquerda, ela de direita. Em pleno rito do impeachment em 2016. Eu de rock, ela de samba. Eu de dia, ela de noite. Sobre o creme de mandioquinha, vale ressaltar que era de longe o legume que eu mais detestava na época.

Estrela esforçava-se nitidamente para que uma dança fosse estabelecida entre nossas diferenças,  e eu carregava arrependimentos por estar ali. Pura imaturidade, confesso. Mas Estrela era e é uma mulher linda, como não se vê por aí em primeiros encontros catastróficos e eu precisava ir até onde fosse possível. Portanto, ao fim da noite achei que pelo menos um beijo traria algo em comum, e como era de se esperar foi um desastre de saliva, medo e pressa que descarrilharam um trem em alta velocidade.

Fui educado, não deixei claro minha insatisfação. Me sentia Ted Mosby saindo com a abóbora após anos de busca (isso pra quem viu How I Met Your Mother). Mas eu precisava admitir pra mim que não era ela. Não naquele momento, não no meu nível de exigência e expectativa. Estrela seria mais um pontinho de luz no meu céu noturno, mas ainda não se tornaria minha estrela maior. Meu Sol.

E por falar em Sol? Na noite em que nos conhecemos ela enfiou o dedo indicador na minha cara criticando a esquerda do planeta inteiro e apoiando o impeachment até do Habbibs por usar vermelho no uniforme. Lembrei dessa história toda enquanto descascava mandioquinha. Adivinha qual será nosso jantar? Fazer o que né, quando é pra ser até creme de mandioquinha vida um jantar dos deuses.

[J.S.]

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