A decisão do outro

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“O que o outro escolheu viver não é da sua conta”. Li essa frase outro dia e gravei no celular. Devíamos repetir como mantra. Imprimir e deixar na parede do quarto. Colocar luzes de neon em volta.

Quanto assunto dentro de uma frase. Respeito e limite fazem parte. Desapego também. Achamos que por estarmos vivendo nessa loucura onde a vida é revirada e a intimidade exposta, as pessoas nos devem satisfação de cada decisão tomada.

Nos acostumados a ver a vida alheia em tempo real nas redes sociais e pensamos saber o que acontece com cada um. Quanta ingenuidade! Queremos acreditar em mensagens subliminares e indiretas. “Essa música que ele postou foi pra mim”; “Não acredito que ela viajou uma semana depois de terminarmos”; “Ele está curtindo tudo que fulana posta, certeza que estão saindo”.

E nessa de stalkear, vamos seguindo os passos alheios – nem sempre verdadeiros – com a ilusão de termos o controle, de saber (quase) tudo sobre o outro. Ficamos como inquisidores, julgando cada atitude, inconformados com as decisões tomadas.

Ele ainda pensa em mim? Não é da sua conta. Ela apagou meu número de celular? Não é da sua conta. Mas ele odiava comida japonesa e postou uma foto com uma barca de sushi. Sinto muito, mas não é da sua conta. Ela não conseguia ver filme de terror e fez check in no cinema assistindo O Massacre da Serra Elétrica. Quando você vai entender que não é da sua conta?

Tudo isso é o nosso ego inconformado porque queremos fazer parte da vida do outro. Mas não fomos convidados a participar. Deixemos a arrogância e o egoísmo de lado alguns minutos e tudo ficará mais claro. Por mais expectativa, curiosidade ou indignação, devemos ter em mente uma coisa: cada um é livre para tomar as próprias decisões. Mesmo que isso não nos inclua. Mesmo que doa. Mesmo que o apego fale mais alto.

[M.B.]

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